O Dom de Línguas em 1 Coríntios 14

É o dom de línguas em 1 Coríntios 14 expressões vocais ininteligíveis ou línguas estrangeiras?

Não categorizado April 30, 1999

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Escrito por Ángel Manuel Rodríguez

É o dom de línguas em 1 Coríntios 14 expressões vocais ininteligíveis ou línguas estrangeiras?

Existem três interpretações principais da manifestação do dom de línguas na igreja de Corinto.

A primeira argumenta que o dom era a habilidade para falar a linguagem dos anjos. Isto é baseado na referência de Paulo a “línguas… dos anjos” (1Co 13:1).* A segunda interpreta que o dom de línguas era a capacidade para falar outras linguagens através do poder do Espírito (At 2). A terceira interpretação declara que o dom designa expressões vocais estáticas ou ininteligíveis sob a influência do Espírito, visto que Paulo diz que as mensagens eram ininteligíveis (1Co 14:2).

Para decidir qual é a interpretação correta, devemos começar com 1 Coríntios 14. Podemos obter de ele um entendimento claro da natureza do dom nessa igreja específica? Paulo não oferece uma descrição detalhada da manifestação do dom nesse capítulo. Portanto, devemos permitir diferentes possibilidades. Podemos então perguntar, baseados nas Escrituras, qual é a interpretação mais provável.

1. Contexto Mais Amplo: O contexto mais amplo são as passagens bíblicas nas quais encontramos referências ao dom de línguas. A mais bem conhecida é Atos 2. Existe um entendimento geral que o dom de línguas aqui se refere a linguagens estrangeiras: eles “ começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava” (verso 4). Aqueles que ouviam entendiam em sua própria língua (verso 6). Esta parece ser a natureza do dom no restante do livro de Atos.

Em Marcos 16:17 a comissão evangélica inclui a frase eles “falarão novas línguas,” que dificilmente poderia se referir a quaisquer outras linguagens a não ser estrangeiras. À parte de 1 Coríntios 14, o dom de línguas designa a capacidade concedida pelo Espírito para falar outras linguagens.

Aqui devemos relembrar o princípio de interpretação bíblica, de acordo com o qual uma passagem difícil (1Co 14) deve ser interpretada sobre a base de passagens em que o mesmo assunto é discutido e é clara no conteúdo e propósito (At 2; Mc 16:17). Porém, devemos dar uma olhada no texto para determinar se o fenômeno idêntico está sendo discutido ou não.

2. Contexto Imediato: O que aprendemos sobre o dom de línguas em si de 1 Coríntios 14? O primeiro e mais surpreendente fato é que o dom parece ser ininteligível: “Ninguém o entende” (verso 2). Isto é radicalmente diferente da manifestação do dom em Atos 2 e tem levado alguns a concluirem que o dom possuía mais do que uma expressão. Outros tentam harmonizar ambos os casos, argumentando que em Corinto o dom era ininteligível porque as linguagens faladas eram desconhecidas aos ouvintes e que a tradução era necessária, como o próprio Paulo sugere (verso 13).

Segundo, Paulo declara que o dom não resulte na perda do autocontrole. Na igreja, somente dois ou três devem falar em línguas; e se não houver intérprete, aqueles que estão sendo usados pelo Espírito para falar em línguas de se manter quietos (versos 27, 28). A capacidade para controlar a expressão do dom parece indicar que não estamos lidando aqui com expressões vocais estáticas durante as quais o indivíduo perde o autocontrole.

Terceiro, contrário às ideias prevalecentes no mundo religioso hoje, Paulo não esperava ou encorajava cada membro da igreja a receber este dom. Para dizer a ver-dade, ele parece desencoraja-lo, pelo menos na igreja. Para Paulo o dom de profecia na igreja é mais significativo e importante que o dom de línguas. Ele não o considera ser um sinal indispensável de conversão ou do recebimento do Espírito.

Meus comentários simplesmente ilustram a dificuldade de se chegar a uma resposta definitiva para nossa questão. O apoio bíblico para a interpretação do dom de línguas como linguagens é muito forte. Para dizer a verdade, a palavra Grega glossa, quando usada para designar um dom, ela não significa “língua”, mas “linguagem.” A manifestação moderna de “falar em línguas” não deve ser igualada com o dom como descrito no Novo Testamento.