Dios Como Comandante en Jefe

Sempre tive dificuldade em entender o extermínio dos Cananeus pelos Israelitas sob as ordens de Deus. Este tipo de guerra pode ser justificado?

Sin categorizar noviembre 12, 1998

This page is also available in: English Português

Escrito por Ángel Manuel Rodríguez

Sempre tive dificuldade em entender o extermínio dos Cananeus pelos Israelitas sob as ordens de Deus. Este tipo de guerra pode ser justificado?

Esta é uma pergunta difícil, e não há resposta rápida. Eu só posso delinear alguns elementos que devem ser levados em consideração. Não podemos nos concentrar em alguns poucos versos que fornecem uma resposta bíblica; temos que levar em conta os ensinamentos das Escrituras a respeito de Deus, do mal, da sociedade humana, da guerra e também rejeitar soluções simplistas (e.g., o ponto de vista que o Deus do Velho Testamento é diferente daquela do Novo Testamento; que o escritor bíblico fez uso de noções pagãs, etc.). Vou limitar meus comentários a três argumentos importantes.

1. Duração da Ordem:O texto bíblico indica que o extermínio dos Cananeus era basicamente limitado a um período de conquista. Muitas vezes Deus lembrou os Israelitas desta responsabilidade, apresentando Suas intenções dizendo: “Quando vocês atravessarem o Jordão para entrar em Canaã…” (Nm 33:51, NVI); “Quando o SENHOR… os fizer entrar na terra, para a qual vocês estão indo para dela tomarem posse…” (Dt 7:1, NVI; cf. Dt 12:1; 18:9). O Senhor não esperava que isso fosse uma característica permanente da guerra Israelita. Uma vez que a conquista terminasse, os Israelitas deviam se envolver apenas em autodefesa. Não existe apoio bíblico para a prática da “guerra santa.”

2. Guerra Moralmente Justificável: Aqueles que vão para a guerra pretendem ganhar a qualquer custo, e isto por si só torna o extermínio do inimigo uma parte intrínseca da guerra. Este era claramente o caso no antigo Oriente Próximo.

Curiosamente, o Velho Testamento faz um esforço especial para demonstrar que a ordem de Deus para destruir os Cananeus não era arbitrário ou controlado por interesses expansionistas. O próprio Deus forneceu a razão: eles estavam sacrificando seus filhos aos seus deuses, estavam envolvidos em feitiçaria e bruxaria e consultando os espíritos dos mortos (Dt 18:10-12). Sua corrupção moral e religiosa tinha atingido um nível intolerável.

Centenas de anos antes, o Senhor disse a Abrão: “Na quarta geração, os seus descendentes voltarão para cá, porque a maldade dos amorreus ainda não atingiu a medida completa” (Gn 15:16, NVI). Na época da conquista, os pecados dos Amorreus haviam atingido “a medida completa,” indicando que Deus julga as nações e seu compromisso com os valores morais e as práticas religiosas apropriadas (cf. Gn 18:20-33). Deus estava executando juízo contra o pecado e pecadores impenitentes.

Uma segunda razão para o extermínio dos inimigos de Israel é que, se permanecessem na terra, teriam se tornado instrumentos de corrupção para o Seu povo (Dt 7:4). Um povo santo requeria um lugar santo para viver. A guerra foi a tentativa de Deus de estabelecer uma nova ordem baseada em Seus princípios de justiça e amor, uma terra na qual a paz e a segurança prevaleceriam. Qualquer coisa que pudesse ameaçar a intenção divina devia ser removida.

3. Os Israelitas Como Assistentes de Deus:O fato de Deus ter alistado os Israelitas como Seus instrumentos neste tipo de guerra levanta preocupações morais e éticas. Se Deus tivesse usado as forças da natureza, muito poucos se sentiriam desconfortáveis. Mas Ele usou a guerra.

A guerra é uma característica inevitável de um mundo caído e pecaminoso. Ao transformar Israel em uma nação com identidade política e declarando-Se ser o seu rei, Deus e Seu povo iriam se envolver em guerra. Seus inimigos seriam outras nações que não estavam dispostas a reconhecer a reivindicação moral de Deus sobre elas e tentariam exterminar o Seu povo. Através da conquista da terra, Deus treinou Seu povo para a guerra para que cooperassem com Sua teocracia no cumprimento de Suas intenções divinas para eles e para o mundo (Jz 3:1, 2).

Podemos não entender completamente este tópico, mas há uma coisa que sabemos, ou seja, que Deus é amoroso, bondoso e justo. Esta imagem bíblica de Deus é essencial na discussão de um assunto como este. Ele é alguém que permitiu que Seu Filho morresse em nosso lugar, alguém que, em um ato de amor e justiça, exterminará pecado e pecadores impenitentes do nosso planeta, a fim de criar um reino pacífico e eterno.